A hospitalidade tipicamente brasileira, cheia de salamaleques, atenções, fazendo muita propaganda, pedindo mil licenças e desculpas, mas muita fantasia. O brasileiro faz muito para que o outro se sinta em casa, mesmo que isso lhe incomode...
- Vá entrando, vá entrando. A casa é muito simples, tá meio bagunçada, mas é limpinha.
- Que é isso, imagina! Que mimosa sua casa, tão ajeitadinha! Dê licença.
- É, a gente vai ajeitando como pode. Ainda faltam as cortinas...
- Não importa, está linda!
- Você já tinha vindo aqui?
- Não...
- Então venha que eu vou lhe mostrar a casa.
- Esse é o quarto do seu menino?
- É sim. Tão organizado, tão esmerado meu filho. Já a menina...
- Eu sempre gostei do menino! Sempre disse que era um menino especial, o genro que eu adoraria ter.
- Você aceita um cafezinho, tá quentinho, Zefa acabou de passar!
- Ah, eu queria sim!
- Zeeefa, cadê o café da moça???
- Tá aqui, nhora.
- Hum. Você já limpou ali por trás daquelas portas? Estão tão sujinhas
- Não senhora.
- E as vassouras novas, já viu?
- Sim, senhora.
Puxa a empregada para si, de modo que a visita não escuta
- Então porque não bota logo essas danadas dessas vassouras detrás da porta, criatura! Que eu to louca que essa mulher vá embora!
Voltando-se para a visita
- Você sabe como é, empregada velha se acomoda...
- Sei sim.
- Então, a senhora quer a receita daquele bolo, não é?
- É...
- Pronto, está aqui, mas cuidado que essa receita é segredo de família, hein?!
- Ta ótimo. Brigada.
- Vá com Deus, e volte sempre pra a gente tomar um cafezinho. A casa está às ordens, viu?!
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