A gente vive sorrino
A boca cheia de riso e banguela de emoção
Comida é pouca
Tem que alimentar a boca de quatro menino
As vezes a gente nem come, mas disfarça sorrino
Que é pra num deixar os rebento cheio de aflição
Dinheiro falta
Mas a gente não sai pedino
Pra enganar patrão
A gente vai a luta,
Colhe o trigo, a semente, a fruta
E faz o nosso feijão
Aqui em casa até o sovino
Se entrar pedino
Ganha um copo d’água e um teco de pão
Põe mais água no feijão
Dê cadeira pro irmão
Que aqui não é casa de deus,
Mas lugar não falta não
Nem precisa pagar com o que sobrou da prantação
Há sempre um consolo
Nos óio manso de choro
A enxada encostada no muro
Que é pra não esquecer que tem de dar duro,
E um afago sempre à mão
Pois essa vida não é de presente não
A gente tem de ralar muito pra pisar nesse chão
E pedir com amor a Deus,
Fazer muita oração
Que é pra ele não abandonar
Nem calar o sabiá
Que alivia a inflamação.
Autora: Marcela Borba
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