O brasileiro enche a boca pra falar dos Estados Unidos
O brasileiro reclama da colonização portuguesa e dos estragos que ela causou, mas não se lembra do que fizemos aos africanos, de como os humilhamos e roubamos sua identidade em tão pouco tempo.
O brasileiro dança o samba dos africanos, mas cria cotas para negros na universidade.
O brasileiro nem sabe que é latino
O brasileiro aprende I love you, The book is on the table, acaso sabem, sabemos nós, os brasileiros, nossa própria língua?
O Brasil deixa que se esparramem por sua terra outras bandeiras, e que estas prevaleçam à sua.
O Brasil, ‘he forgot himself’…
Brasil? Não seria Brazil?
Brasil é um país solidário, é um pais carente, doa a saudade, doa também sua gente, doa sua lingua, sua economia... o Brasil é um país bom... Pros estrangeiros, oras!
O Brasil não é só os brasileiros
O Brasil nem é ele, são nossas atitudes
O Brasil é quando nós entramos de óculos escuros numa padaria onde um mendigo vegeta na porta, o Brasil é quando nós falamos que a Europa, os Estados Unidos são avançadíssimos e queimamos nossos índios,
é quando não usamos camisinha, quando jogamos lixo na rua, o Brasil é quando achamos que brasileiro é pobre, analfabeto, e só achamos, não mudamos.
O Brasil é quando damos milhões em roupas, bolsas e sapatos feitos de pele de animais, é quando damos mais visibilidade a essa pele do que à anorexia, a bulimia...
Me pergunto que cor representa o que um dia foi e já não é, posto que teremos que usá-la muito em breve para substituir o verde de nossa bandeira.
Brasil sem Amazônia, isso soa politicamente bem?
Me pergunto também como será ‘Ouviram do Ipiranga as margens plácidas/de um povo heróico o brado retumbante/e o sol da Liberdade, em raios fúlgidos/brilhou no céu da Pátria nesse instante.’ em inglês, ou, o mais atual, mandarim.
Talvez nem precisemos, ‘o penhor dessa igualdade’ nunca foi conquistado mesmo, menos ainda com ‘braço forte’. O seio, a liberdade e a luta nunca foram tão covardes por aqui como ultimamente. Liberdade é ter um jatinho, afinal.
Brasileiro só é brasileiro na copa.
Brasileiro reclama do governo, mas vota em branco.
Brasileiro rico é filho da lei, principalmente ao atirar crianças pela janela.
Brasileiro é ótimo amante, faz ‘séquiço’ como ninguém...
Praias, caipirinha, Sapucaí, privilégio... Aah, isso é coisa de turista, eu sou brasileira!
“Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
de amor e de esperança à terra desce,
Em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.”
Apesar de todos esses predicados, eu, como brasileira, não quero que o Brasil seja mais um sonho. E você?
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
E aí?
Jeitinho - socorro bem presente na hora de angústia do brasileiro?
Jeitinho - o congelamento de uma realidade que não se quer enfrentar?
Esperteza, quando é muita,
destrói o dono.
(Elio Gaspari)
O autor da frase condena a esperteza do jeitinho brasileiro, e aponta como possível motivo para um fracasso no Brasil. Concordo, com o nosso jeitinho brasileiro de roubar, de enganar, de excluir, nada mais estamos fazendo que perpetuar, seguir com o que fizeram nossos colonizadores. Fazendo do Brasil uma nova colônia de exploração, onde a metrópole é o interesse, o ideal capitalista, e as contas de banco dos nossos corruptos. O jeitinho brasileiro, quando não usado para o bem é a própria desgraça do nosso povo, pois o mesmo jeitinho que agrega, é o que exclui.
Ao mesmo tempo, não podemos fazer tão duras críticas sem reconhecernos como corruptos também. É da natureza humana ser corrupto, todos o somos, porém uns assumem e fazem de tudo para controlar seu instinto mau caráter, e outros não. Por isso, mais cuidado, brasileiros! Devolvamos os trocos que vêm errados, devolvamos o dinheiro emprestado, não mintamos tanto nem façamos tão falsas promessas.
Jeitinho - o congelamento de uma realidade que não se quer enfrentar?
Esperteza, quando é muita,
destrói o dono.
(Elio Gaspari)
O autor da frase condena a esperteza do jeitinho brasileiro, e aponta como possível motivo para um fracasso no Brasil. Concordo, com o nosso jeitinho brasileiro de roubar, de enganar, de excluir, nada mais estamos fazendo que perpetuar, seguir com o que fizeram nossos colonizadores. Fazendo do Brasil uma nova colônia de exploração, onde a metrópole é o interesse, o ideal capitalista, e as contas de banco dos nossos corruptos. O jeitinho brasileiro, quando não usado para o bem é a própria desgraça do nosso povo, pois o mesmo jeitinho que agrega, é o que exclui.
Ao mesmo tempo, não podemos fazer tão duras críticas sem reconhecernos como corruptos também. É da natureza humana ser corrupto, todos o somos, porém uns assumem e fazem de tudo para controlar seu instinto mau caráter, e outros não. Por isso, mais cuidado, brasileiros! Devolvamos os trocos que vêm errados, devolvamos o dinheiro emprestado, não mintamos tanto nem façamos tão falsas promessas.
Ó Pátria amada!

E diga o verde-louro desta flâmula
- Paz no futuro e glória no passado.
O trecho acima é conhecido de qualquer brasileiro que saiba e que tenha orgulho de cantar o hino nacional, de qualquer um que estampe no peito a satisfação, ou a não tanta satisfação de ser nacionalizado nesse país verde e amarelo. Agora, aqui pra nós, e se fossemos levar o que cantamos a sério? E se fossemos cobrar letra a letra, trecho a trecho o que canta o nosso hino brasileiro? Cobraríamos paz a cada futuro, a igualdade conseguida à braços fortes e bosques com mais vidas? Seriam mais ou menos essas as nossas cobranças de uma insatisfação nacional do que somos hoje. Uma insatisfação criada por nós mesmos, uma autodestruição dos donos desse país: nós. Somos nós que fazemos a violência, somos nós que plantamos o desrespeito, somos nós que acabamos com o nosso oxigênio, com a nossa mata, somos nós quem cobra de nós mesmos o que cantamos em nosso hino. Somos nós que cobramos e que não podemos fazer e muito menos ter. Mas é, infelizmente, aquele jeitinho brasileiro de fazer, negar e cobrar onde deveríamos fazer, assumir e concertar, pra quem sabe assim podermos cobrar com verdade e ter pelo menos um pouco do que tanto esse povo sonha.
sábado, 22 de novembro de 2008
Hospitalidade a la brasileira
A hospitalidade tipicamente brasileira, cheia de salamaleques, atenções, fazendo muita propaganda, pedindo mil licenças e desculpas, mas muita fantasia. O brasileiro faz muito para que o outro se sinta em casa, mesmo que isso lhe incomode...
- Vá entrando, vá entrando. A casa é muito simples, tá meio bagunçada, mas é limpinha.
- Que é isso, imagina! Que mimosa sua casa, tão ajeitadinha! Dê licença.
- É, a gente vai ajeitando como pode. Ainda faltam as cortinas...
- Não importa, está linda!
- Você já tinha vindo aqui?
- Não...
- Então venha que eu vou lhe mostrar a casa.
- Esse é o quarto do seu menino?
- É sim. Tão organizado, tão esmerado meu filho. Já a menina...
- Eu sempre gostei do menino! Sempre disse que era um menino especial, o genro que eu adoraria ter.
- Você aceita um cafezinho, tá quentinho, Zefa acabou de passar!
- Ah, eu queria sim!
- Zeeefa, cadê o café da moça???
- Tá aqui, nhora.
- Hum. Você já limpou ali por trás daquelas portas? Estão tão sujinhas
- Não senhora.
- E as vassouras novas, já viu?
- Sim, senhora.
Puxa a empregada para si, de modo que a visita não escuta
- Então porque não bota logo essas danadas dessas vassouras detrás da porta, criatura! Que eu to louca que essa mulher vá embora!
Voltando-se para a visita
- Você sabe como é, empregada velha se acomoda...
- Sei sim.
- Então, a senhora quer a receita daquele bolo, não é?
- É...
- Pronto, está aqui, mas cuidado que essa receita é segredo de família, hein?!
- Ta ótimo. Brigada.
- Vá com Deus, e volte sempre pra a gente tomar um cafezinho. A casa está às ordens, viu?!
- Vá entrando, vá entrando. A casa é muito simples, tá meio bagunçada, mas é limpinha.
- Que é isso, imagina! Que mimosa sua casa, tão ajeitadinha! Dê licença.
- É, a gente vai ajeitando como pode. Ainda faltam as cortinas...
- Não importa, está linda!
- Você já tinha vindo aqui?
- Não...
- Então venha que eu vou lhe mostrar a casa.
- Esse é o quarto do seu menino?
- É sim. Tão organizado, tão esmerado meu filho. Já a menina...
- Eu sempre gostei do menino! Sempre disse que era um menino especial, o genro que eu adoraria ter.
- Você aceita um cafezinho, tá quentinho, Zefa acabou de passar!
- Ah, eu queria sim!
- Zeeefa, cadê o café da moça???
- Tá aqui, nhora.
- Hum. Você já limpou ali por trás daquelas portas? Estão tão sujinhas
- Não senhora.
- E as vassouras novas, já viu?
- Sim, senhora.
Puxa a empregada para si, de modo que a visita não escuta
- Então porque não bota logo essas danadas dessas vassouras detrás da porta, criatura! Que eu to louca que essa mulher vá embora!
Voltando-se para a visita
- Você sabe como é, empregada velha se acomoda...
- Sei sim.
- Então, a senhora quer a receita daquele bolo, não é?
- É...
- Pronto, está aqui, mas cuidado que essa receita é segredo de família, hein?!
- Ta ótimo. Brigada.
- Vá com Deus, e volte sempre pra a gente tomar um cafezinho. A casa está às ordens, viu?!
Diversidade.
O jeitinho brasileiro é um dos mais evidentes resultados da confluência de costumes e da miscigenação dos povos que fundaram essa cultura. É um código, uma língua, sinais comuns e pertinentes apenas aos brasileiros. Podemos destrinchá-lo, e achar suas origens nos:
Portugueses
Estigmas, estereótipos, repressão, religião, fidalguia, preconceito, etc.

Africanos
Garra, batuque, cor, riso, gingado, gaiatice, perseverança, peito e raça.

Índios
Deles a resistência, o grito, porém as cores, a solidariedade, a lealdade, a parcimônia, a tranqüilidade, a malemolência, a paz.

Portugueses
Estigmas, estereótipos, repressão, religião, fidalguia, preconceito, etc.
Portugueses
Estigmas, estereótipos, repressão, religião, fidalguia, preconceito, etc.

Africanos
Garra, batuque, cor, riso, gingado, gaiatice, perseverança, peito e raça.

Índios
Deles a resistência, o grito, porém as cores, a solidariedade, a lealdade, a parcimônia, a tranqüilidade, a malemolência, a paz.

Portugueses
Estigmas, estereótipos, repressão, religião, fidalguia, preconceito, etc.
Dar um jeitinho
A gente vive sorrino
A boca cheia de riso e banguela de emoção
Comida é pouca
Tem que alimentar a boca de quatro menino
As vezes a gente nem come, mas disfarça sorrino
Que é pra num deixar os rebento cheio de aflição
Dinheiro falta
Mas a gente não sai pedino
Pra enganar patrão
A gente vai a luta,
Colhe o trigo, a semente, a fruta
E faz o nosso feijão
Aqui em casa até o sovino
Se entrar pedino
Ganha um copo d’água e um teco de pão
Põe mais água no feijão
Dê cadeira pro irmão
Que aqui não é casa de deus,
Mas lugar não falta não
Nem precisa pagar com o que sobrou da prantação
Há sempre um consolo
Nos óio manso de choro
A enxada encostada no muro
Que é pra não esquecer que tem de dar duro,
E um afago sempre à mão
Pois essa vida não é de presente não
A gente tem de ralar muito pra pisar nesse chão
E pedir com amor a Deus,
Fazer muita oração
Que é pra ele não abandonar
Nem calar o sabiá
Que alivia a inflamação.
Autora: Marcela Borba
A boca cheia de riso e banguela de emoção
Comida é pouca
Tem que alimentar a boca de quatro menino
As vezes a gente nem come, mas disfarça sorrino
Que é pra num deixar os rebento cheio de aflição
Dinheiro falta
Mas a gente não sai pedino
Pra enganar patrão
A gente vai a luta,
Colhe o trigo, a semente, a fruta
E faz o nosso feijão
Aqui em casa até o sovino
Se entrar pedino
Ganha um copo d’água e um teco de pão
Põe mais água no feijão
Dê cadeira pro irmão
Que aqui não é casa de deus,
Mas lugar não falta não
Nem precisa pagar com o que sobrou da prantação
Há sempre um consolo
Nos óio manso de choro
A enxada encostada no muro
Que é pra não esquecer que tem de dar duro,
E um afago sempre à mão
Pois essa vida não é de presente não
A gente tem de ralar muito pra pisar nesse chão
E pedir com amor a Deus,
Fazer muita oração
Que é pra ele não abandonar
Nem calar o sabiá
Que alivia a inflamação.
Autora: Marcela Borba
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
O jeitinho brasileiro de comunicar, de pedir, de protestar, de comercializar e de oferecer.
Porque a nossa pátria amada, não ama, apadrinha, favorece e não alenta a todos. Essas imagens são o reflexo de uma sociedade desigual, carente, ignorada pela política, pela educação, pelo governo. Subjugada pela fome e pelas injustiças comuns às classes menos favorecidas de nossa sociedade. Porém preocupada, ingênua e bem humorada.






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