"Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu
comigo."
Essa foi a frase que escandalizou uma sociedade moralista do fim dos anos 60 no Brasil, dita pela atriz Leila Diniz em uma entrevista ao jornal O Pasquim. Na época, apogeu da ditadura militar - e das perseguições políticas a quem atentasse contra a ordem, a moral e os bons costumes no Brasil - as palavras de ordem eram revolucionar e libertar. E como o brasileiro tem essa coisa de não gostar muito de se aprisionar, Leila Diniz, mulher jovem de espírito livre e cabeça aberta, não era diferente. Não aceitava a cobrança em relação as mulheres, seu corpo e sua sexualidade, tão escondidos, ofuscados e reprimidos. E, com seu jeito especial de transgredir – jeitinho brasileiro - sem levantar bandeiras e com suas idéias, falando abertamente de sexo, e de todos os assuntos proibidos com uma tranqüilidade que chocava, deu voz a todas aquelas mulheres aprisionadas por valores excessivamente machistas e equivocados, e maridos repressores.
Com suas idéias libertárias em relação ao sexo, à sexualidade e ao amor, Leila deu o pontapé inicial para que as mulheres da sua época começassem a encarar com menos preconceito, e até simpatia – o que a sua figura alegre e risonha também contribuiu -, a idéia de liberdade sexual, e dissociou as idéias de sexo e casamento, e casamento e maternidade. Depois, mostrou que não estava brincando, e, com prazer e alegria, exibiu sua barriga de grávida usando um biquini na praia, coisa que, para a época, era um escândalo, ousadia homérica e inimaginável.
Como o jeitinho sempre age na hora que a repressão aperta e falta liberdade, lançar mão dele foi o que Leila e seus contemporâneos fizeram, é graças a eles que hoje estamos libertos de tantas idéias infundadas, valores desumanos, machistas e opressores e temos mais liberdade de agir, pensar e manifestar.
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